Ele caminha, sem destino, sem compromisso, como cuspido num chão de chuva, carregando consigo detritos indesejáveis, mas salutares para sua defesa e preservação.
Sua sobrevivência está atrelada ao acaso, ao vazio e ao descaso.
Um homem tonto, como cabra cega, ranhento feito um bezerro no frio, estúpido e violento dos açoites recebidos.
Pobre homem rejeitado, mal disposto e maltrapilho, seu orgulho é seu algoz e sua prepotência seu pesar.
Quem nesse mundo quer caminhar contigo, se da vida só pensas em vantagens, esfolando àquele que te transversa?
O que nesse mundo fazes, além de sofrer da solidão e da ganância, onde te encontras cidadão, que nada te dobra , nem sabão?
Fale-me de tuas alegrias e amores, daqueles que nos bastam no sono plácido, diga-me sobre tuas conquistas, que juntas somam um par de botas maltrapilhas.
Ah, meu irmão errante e distante, que fizeste tu com nossos encantos, que fazes tu nos teus silêncios?
27/11/2018
27/11/2018

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