Isolamento: sentimento contínuo, perpetuado geração após geração!
Ação: isolar, proibir, separar, ignorar, rejeitar, fugir, privar, esconder
Reação: solidão, tristeza, vazio, frustação, ansiedade, aspereza, distanciamento, desapego, descrença, medo, temor, pavor, indiferença
Manifesta-se por meio da: prepotência, arrogância, orgulho, neurose, mundo desconexo, agressão, sarcasmo, irreverência
Compartilhar: atitude a ser conquistada futuras gerações!
Ação: juntar, comungar, partilhar, aceitar, atentar, encontrar, abraçar, proteger, guardar, entregar-se, expor-se, estar presente
Reação: alegria, união, totalidade, prazer, preenchimento, tranquilidade, amorosidade, serenidade, paz, calma, discernimento, autoconhecimento.
Não vim ao mundo para contemplar, vim para causar. Pouco dormi, muito trabalhei Eu não sento e espero, eu faço. Muitos me temem, com poucos compartilho Não sou dessa terra, sou do universo Não sou de assistir, sou de me apropriar, do tempo e da vida Eu penso excessivamente É, sou diferente, estranha, difícil
sábado, 30 de outubro de 2010
EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
Tenho apenas 23 anos, ainda mocinha, jovem, saudável e viçosa.
Perdida, deslocada e estraçalhada....apostar todas as fichas, entregar-se, doar-se num projeto e sentindo-se constantemente só, abandonada e rejeitada, pois a união me deixou ainda mais isolada do mundo, devido ao tipo de vida que escolhemos e ao parceiro que escolhi.
Passados quase 6 anos, inicio uma nova e longa jornada. Me fortaleço praticando yoga, resgato velhos amigos e faço novos.
Fui buscar o mundo. Difícil, muito difícil. Como viver minha "ainda" juventude, sendo mãe e mulher?
Como conseguir ser a única provedora do sustento, do amor, da atenção dos quatro filhos, sendo que o último estava apenas com quatro meses?
Coloquei um peso enorme em minhas costas e não soube dividir. Me considerei a única responsável por tudo o que estava acontecendo, a mentora, a provocadora, a incosequente e cada vez mais me sentindo sozinha, sem direito à compartilhar.
Mas valente e destemida fui...traçando nossas vidas...
De dia mãe, a noite mulher
De dia trabalhar, lavar, cozinhar, varrer, brincar
De noite dançar, cantar, beber, namorar
A cada mudança de turno um sofrimento, queria me tornar invisível e com mágica estar nos dois lugares ao mesmo tempo e mesmo sofrendo com a dor de estar partida ao meio tinha que aprender a viver...
Às cegas, tateando e observando fui tentando descobrir a mulher, a menina que tanto sofria e nada sabia.
Perdida, deslocada e estraçalhada....apostar todas as fichas, entregar-se, doar-se num projeto e sentindo-se constantemente só, abandonada e rejeitada, pois a união me deixou ainda mais isolada do mundo, devido ao tipo de vida que escolhemos e ao parceiro que escolhi.
Passados quase 6 anos, inicio uma nova e longa jornada. Me fortaleço praticando yoga, resgato velhos amigos e faço novos.
Fui buscar o mundo. Difícil, muito difícil. Como viver minha "ainda" juventude, sendo mãe e mulher?
Como conseguir ser a única provedora do sustento, do amor, da atenção dos quatro filhos, sendo que o último estava apenas com quatro meses?
Coloquei um peso enorme em minhas costas e não soube dividir. Me considerei a única responsável por tudo o que estava acontecendo, a mentora, a provocadora, a incosequente e cada vez mais me sentindo sozinha, sem direito à compartilhar.
Mas valente e destemida fui...traçando nossas vidas...
De dia mãe, a noite mulher
De dia trabalhar, lavar, cozinhar, varrer, brincar
De noite dançar, cantar, beber, namorar
A cada mudança de turno um sofrimento, queria me tornar invisível e com mágica estar nos dois lugares ao mesmo tempo e mesmo sofrendo com a dor de estar partida ao meio tinha que aprender a viver...
Às cegas, tateando e observando fui tentando descobrir a mulher, a menina que tanto sofria e nada sabia.
NASCIDA ÚNICA
De vantagem tive amor. Recebida com carinho e entusiasmo.
Mas perdida no universo masculino, as bonecas e loucinhas, quando não destruídas, abandonadas.
Esforços não faltaram para fazer de mim um boneca de louça.
Mas por força do destino, de trapo me tornei.
As apostas foram um peso que senti desde pequena
Pois esperta e valente: bons presságios pela frente
Como a vida prega peças...fui traçando meu destino às avessas...
Ao final constatamos que são várias as facetas que guardamos pro futuro.
Mas perdida no universo masculino, as bonecas e loucinhas, quando não destruídas, abandonadas.
Esforços não faltaram para fazer de mim um boneca de louça.
Mas por força do destino, de trapo me tornei.
As apostas foram um peso que senti desde pequena
Pois esperta e valente: bons presságios pela frente
Como a vida prega peças...fui traçando meu destino às avessas...
Ao final constatamos que são várias as facetas que guardamos pro futuro.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Gata Borralheira
Ainda nos primeiros dias após termos definido o marco de nossas vidas juntos, percebi a incompatibilidade de gênios, de valores, de posturas.
Quando me dei conta, não tinha mais volta...resignada e otimista acreditei ter o poder para transformar o fel em mel...e assim pensei durante 5 anos.
Maternidade à parte, da vida em comum nada ficou. Sem espaço para ser, tudo para entender, paciência para exercer, inconstâncias para viver, mudanças para fazer, discórdias à ameninar e conflitos para gerenciar.
Muitas tristezas, poucas alegrias. Muito trabalho, pouco os prazeres.
Devido a sua personalidade, conviver era um fardo à carregar: instável, confuso, complicado, mudanças repentinas de humor, mentiras que prejudicavam os outros, impulsividade extrema, reações imprevisíveis, desequilíbrio financeiro....
Mais danada fui eu, que deixei o tempo passar e nada pude realizar...nem se quer me escutar....como poderia me salvar?
Lavar, passar, cozinhar eram distrações para amenizar e fazer o tempo passar...
Quando me dei conta, não tinha mais volta...resignada e otimista acreditei ter o poder para transformar o fel em mel...e assim pensei durante 5 anos.
Maternidade à parte, da vida em comum nada ficou. Sem espaço para ser, tudo para entender, paciência para exercer, inconstâncias para viver, mudanças para fazer, discórdias à ameninar e conflitos para gerenciar.
Muitas tristezas, poucas alegrias. Muito trabalho, pouco os prazeres.
Devido a sua personalidade, conviver era um fardo à carregar: instável, confuso, complicado, mudanças repentinas de humor, mentiras que prejudicavam os outros, impulsividade extrema, reações imprevisíveis, desequilíbrio financeiro....
Mais danada fui eu, que deixei o tempo passar e nada pude realizar...nem se quer me escutar....como poderia me salvar?
Lavar, passar, cozinhar eram distrações para amenizar e fazer o tempo passar...
A fuga I: liberdade às avessas
Casei com a idéia da possibilidade de fazer diferente, de realizar mudanças. Carregada de ideais e carências. Levava a vida na pasmacenta rotina, entedeada, vazia e frustada.
Meus irmãos cada vez mais distantes: acabaram-se as brincadeiras ...cada um traçando seu destino.
Solidão em compartilhar, parcos significados, minguadas perspectivas, um ambiente social pouco atraente e um sacudir incessante de hormônios...
Eu pensei em mim, não pensei em nós...que contradição ....
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
Amava a idéia de liberdade, amava a aventura, os desafios, as dificuldades, o exercício da capacidade de se dar bem, se virar, vencer, descobrir....
Não amei meu parceiro! Era um estranho, foi somente mais um obstáculo que criei para testar minha capacidade de superação...meu Deus, que estratégias suicidas, cruéis e tenebrosas, que arapucas me metia...tudo para testar o limite de minha resistência!
Foram 5 anos, dos 17 aos 22 anos, quatro filhos, sem cachorrros, gatos ou papagaio...nada no coração e muita obra pra construir!
Saí sem me despedir, pois de nada me apeguei, de tudo me afastei, sem dó, sem coração.
A lição eu aprendi e carrego comigo: descobrir o que NÃO quero é o primeiro passo pra liberdade!
Meus irmãos cada vez mais distantes: acabaram-se as brincadeiras ...cada um traçando seu destino.
Solidão em compartilhar, parcos significados, minguadas perspectivas, um ambiente social pouco atraente e um sacudir incessante de hormônios...
Eu pensei em mim, não pensei em nós...que contradição ....
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
Amava a idéia de liberdade, amava a aventura, os desafios, as dificuldades, o exercício da capacidade de se dar bem, se virar, vencer, descobrir....
Não amei meu parceiro! Era um estranho, foi somente mais um obstáculo que criei para testar minha capacidade de superação...meu Deus, que estratégias suicidas, cruéis e tenebrosas, que arapucas me metia...tudo para testar o limite de minha resistência!
Foram 5 anos, dos 17 aos 22 anos, quatro filhos, sem cachorrros, gatos ou papagaio...nada no coração e muita obra pra construir!
Saí sem me despedir, pois de nada me apeguei, de tudo me afastei, sem dó, sem coração.
A lição eu aprendi e carrego comigo: descobrir o que NÃO quero é o primeiro passo pra liberdade!
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Ela já estava atrasada, mas não conseguia se decidir pela calça lilás ou roxa.
A blusa já estava decidida, pois queria estrear o novo modelito cuja idéia havia usurpado da vitrine de umas das lojas mais modernas e frequentadas da sociedade local.
Seus olhos atentos e perspicazes, um sentido estético apurado, ela era capaz de reproduzir suas roupas sem ao menos necessitar do auxílio de um molde, de jornal ou papel de pão. Tudo o que confeccionava era "no olho"!
- Mercedes!! onde está minha saia preta? Pergunta à empregada que já esperava ser requisitada.
- Qual delas senhora?
Não eram duas nem três, eram muitas as saias pretas: curta, longa, de malha, de flores, com botões.....assim como eram muitas as roupas já jogadas e espalhadas por cima da cama.
Enquanto revirava a gaveta da cômoda pensava que desculpa daria hoje pelo atraso no trabalho.
Todos os dias, religiosamente o ritual se repetia: a difícil decisão do que vestir, as alternâncias de provas, a mobilização das pessoas à sua volta para ajudá-la e o atraso de seus compromissos.
Tudo em nome de sua vaidade e perfeccionismo estético!
A blusa já estava decidida, pois queria estrear o novo modelito cuja idéia havia usurpado da vitrine de umas das lojas mais modernas e frequentadas da sociedade local.
Seus olhos atentos e perspicazes, um sentido estético apurado, ela era capaz de reproduzir suas roupas sem ao menos necessitar do auxílio de um molde, de jornal ou papel de pão. Tudo o que confeccionava era "no olho"!
- Mercedes!! onde está minha saia preta? Pergunta à empregada que já esperava ser requisitada.
- Qual delas senhora?
Não eram duas nem três, eram muitas as saias pretas: curta, longa, de malha, de flores, com botões.....assim como eram muitas as roupas já jogadas e espalhadas por cima da cama.
Enquanto revirava a gaveta da cômoda pensava que desculpa daria hoje pelo atraso no trabalho.
Todos os dias, religiosamente o ritual se repetia: a difícil decisão do que vestir, as alternâncias de provas, a mobilização das pessoas à sua volta para ajudá-la e o atraso de seus compromissos.
Tudo em nome de sua vaidade e perfeccionismo estético!
Um quarto, cinco corpos
Cada um no seu leito
Dois beliches e uma cama de campanha
Silêncio, apenas o sussurrar no pé do ouvido de um par de filhos
Passando à limpo o dia vivido
Hora boa de dormir, um menino e uma menina
Dois em um na alegria
Conversa longa e sonolenta
Eis que surge um safanão, pois na conversa adormeceu
E o menino enfureceu
Cada um no seu leito
Dois beliches e uma cama de campanha
Silêncio, apenas o sussurrar no pé do ouvido de um par de filhos
Passando à limpo o dia vivido
Hora boa de dormir, um menino e uma menina
Dois em um na alegria
Conversa longa e sonolenta
Eis que surge um safanão, pois na conversa adormeceu
E o menino enfureceu
Exageros Mundanos
Dobro roupas milimetricamente
Correr, correr exaurindo meus músculos, atropelando meus passos
Atribuo importância àquilo que não me diz respeito
Dos outros assumo suas responsabilidades e absorvo emoções
Como compulsivamente em determinados momentos
Abuso no policiamento da assepsia de meu entorno
Privo-me de privilégios e prazeres
Guardo o passado nos armários, gavetas e prateleiras
Proibo-me de sofrer, evitando raízes e apegos
Correr, correr exaurindo meus músculos, atropelando meus passos
Atribuo importância àquilo que não me diz respeito
Dos outros assumo suas responsabilidades e absorvo emoções
Como compulsivamente em determinados momentos
Abuso no policiamento da assepsia de meu entorno
Privo-me de privilégios e prazeres
Guardo o passado nos armários, gavetas e prateleiras
Proibo-me de sofrer, evitando raízes e apegos
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Quem me tornei
Introvertida, cautelosa, conservadora, tímida, não me adapto a mudanças repentinas. Mudanças devem ser graduais, dificuldade em aceitar as novidades.
Preciso crer para me envolver, quando creio incorporo como se fosse uma religião; necessito suporte ideológico. Em geral tenho consciência da forma correta de agir, reflito muito antes de tomar uma decisão e calculo com precisão todos os passos necessários.
Poucos amigos, mas de longa duração. Sincera ao extremo. Afetuosa
Muita intuição, aberta ao mundo, porém sem me envolver. Pacífica, corajosa e determinada, a vida é uma luta constante, destemida perante a adversidade.
Paciente ao extremo, capaz de suportar tudo, porém não gosto de pessoas agressivas ou indecisas. Quando não recebo afeto, prefiro o isolamento.
Profissionalmente ambiciosa e desejo alcançar o êxito e o reconhecimento através do trabalho. Produzo melhor sozinha do que em grupo e aprecio a calma e a organização.
Preciso crer para me envolver, quando creio incorporo como se fosse uma religião; necessito suporte ideológico. Em geral tenho consciência da forma correta de agir, reflito muito antes de tomar uma decisão e calculo com precisão todos os passos necessários.
Poucos amigos, mas de longa duração. Sincera ao extremo. Afetuosa
Muita intuição, aberta ao mundo, porém sem me envolver. Pacífica, corajosa e determinada, a vida é uma luta constante, destemida perante a adversidade.
Paciente ao extremo, capaz de suportar tudo, porém não gosto de pessoas agressivas ou indecisas. Quando não recebo afeto, prefiro o isolamento.
Profissionalmente ambiciosa e desejo alcançar o êxito e o reconhecimento através do trabalho. Produzo melhor sozinha do que em grupo e aprecio a calma e a organização.
MEUS EXAGEROS...
...alcançar a vitória com disciplina, coragem, determinação e assertividade.
...alcançar objetivo através da força de vontade e do autocontrole. Controle não brutal, mas firme e direto.
...vibrar com a competição, usar a força de vontade, focado na intenção
...estar acima das tentações, não permitir nenhuma distração
....sustentar meu empenho, concentrar minhas energias, fixar-me no objetivo, autoafirmação, estabelecer uma identificação, conhecer quem sou, sentir-se autoconfiante, ter fé em si mesmo, cuidar de seus interesses, sobrepujar as emoções, frear os impulsos, manter a disciplina, conter a raiva, entender meu caminho, assumir as rédeas do poder, mostrar autoridade
...vibrar com a competição, usar a força de vontade, focado na intenção
...estar acima das tentações, não permitir nenhuma distração
....sustentar meu empenho, concentrar minhas energias, fixar-me no objetivo, autoafirmação, estabelecer uma identificação, conhecer quem sou, sentir-se autoconfiante, ter fé em si mesmo, cuidar de seus interesses, sobrepujar as emoções, frear os impulsos, manter a disciplina, conter a raiva, entender meu caminho, assumir as rédeas do poder, mostrar autoridade
....e muitos outros....
terça-feira, 26 de outubro de 2010
PRAZERES
Banhos de chuva com roupa molhada ou pelada
Costurar, desenhar, bordar, tricotar, pintar, plantar, cantar, dançar, correr, escrever, ler, viajar..
Amo as viagens e os prazeres pelo mistério.
Viajar: relaxar, observar, pensar, desligar..ir além, distanciar-se do lugar comum, ultrapassar limites, conhecer capacidade de viver, compreender e aceitar diferenças e mistérios. Transpor o desconhecido, revelar o fantasma do sótão, o monstro do armário.Sair zona de conforto, estática e protegida.
O que me encanta?
Surpresas
Conhecer coisas novas
Que respeitem meu silêncio e meus limites
Um olhar lascivo, uma pegada firme e forte
O abrir da porta do carro
O explorar do desconhecido
Um jantar a luz de velas
Presentes surpresas, flores diárias, semanais e mensais..matinais e noturnas..
Homens: obreiros, marceneiros que com as mãos transformam formas e com precisão definem seu querer e poder. Que eu me faça de burra e frágil com a certeza de ser protegida e amparada, que acompanhe minha dança corporal e sensorial. Explorem meus espaços e desperte-os. Faça meu coração pulsar na garganta.
Costurar, desenhar, bordar, tricotar, pintar, plantar, cantar, dançar, correr, escrever, ler, viajar..
Amo as viagens e os prazeres pelo mistério.
Viajar: relaxar, observar, pensar, desligar..ir além, distanciar-se do lugar comum, ultrapassar limites, conhecer capacidade de viver, compreender e aceitar diferenças e mistérios. Transpor o desconhecido, revelar o fantasma do sótão, o monstro do armário.Sair zona de conforto, estática e protegida.
O que me encanta?
Surpresas
Conhecer coisas novas
Que respeitem meu silêncio e meus limites
Um olhar lascivo, uma pegada firme e forte
O abrir da porta do carro
O explorar do desconhecido
Um jantar a luz de velas
Presentes surpresas, flores diárias, semanais e mensais..matinais e noturnas..
Homens: obreiros, marceneiros que com as mãos transformam formas e com precisão definem seu querer e poder. Que eu me faça de burra e frágil com a certeza de ser protegida e amparada, que acompanhe minha dança corporal e sensorial. Explorem meus espaços e desperte-os. Faça meu coração pulsar na garganta.
MAMÃE
Faceira, sestrosa, vaidosa...
Perucas, roupas, presentes, risadas.
O leito matrimonial era nosso refúgio. Momentos de alegria, dos carinhos, do tocar...apesar das desagradáveis surtos de sadismo ao esfolar nossas feridas ou ao desferir "tapas na cara" alegando serem de amor.
Surtos, alternâncias de humor, imprevisibilidade, mas nada abalava nossa segurança de que nela tínhamos um porto seguro para sermos como eramos e aceitos como filhos.
Intuitiva, sensível descobria e diagnosticava todas os nossos males infantis: sarampo, cachumba, catapora, até hepatite.
Com o tempo a intuição e a sensibilidade tornam-se em hipocrondria, desequilíbrio e desespero. A predominância da rigidez familiar destrói seus encantos, a sufoca impedindo-a de manifestar seus dons mais preciosos.
Mas sua luz, seu encanto e seu poder de amar e agradar não morrem, transferem-se para a excessiva vaidade - ser bonita para ser aceita e amada.
A extrapolação permanece no exagero, na vaidade, na intensificação dos sentimentos, as preocupações se instalam. Acentuam-se a insegurança, a inquietude, torna-se infeliz.
...mãe e esposa, porém sem espaço pra ser. Fomos perdendo e ela esquecendo.
Porém, mulher é permitido ser, reforçado e estimulado....só é permitido ser mulher: vaidosa, sestrosa e sensual!
Perdão, amor doação, amor incondicional, alegria de viver, beleza das coisas e da vida. O contraponto da rigidez e seriedade nas nossas vidas.
Estou aprendendo a amá-la...do jeito que ela é...e estou adorando minhas descobertas! Obrigada por me ensinar.
Perucas, roupas, presentes, risadas.
O leito matrimonial era nosso refúgio. Momentos de alegria, dos carinhos, do tocar...apesar das desagradáveis surtos de sadismo ao esfolar nossas feridas ou ao desferir "tapas na cara" alegando serem de amor.
Surtos, alternâncias de humor, imprevisibilidade, mas nada abalava nossa segurança de que nela tínhamos um porto seguro para sermos como eramos e aceitos como filhos.
Intuitiva, sensível descobria e diagnosticava todas os nossos males infantis: sarampo, cachumba, catapora, até hepatite.
Com o tempo a intuição e a sensibilidade tornam-se em hipocrondria, desequilíbrio e desespero. A predominância da rigidez familiar destrói seus encantos, a sufoca impedindo-a de manifestar seus dons mais preciosos.
Mas sua luz, seu encanto e seu poder de amar e agradar não morrem, transferem-se para a excessiva vaidade - ser bonita para ser aceita e amada.
A extrapolação permanece no exagero, na vaidade, na intensificação dos sentimentos, as preocupações se instalam. Acentuam-se a insegurança, a inquietude, torna-se infeliz.
...mãe e esposa, porém sem espaço pra ser. Fomos perdendo e ela esquecendo.
Porém, mulher é permitido ser, reforçado e estimulado....só é permitido ser mulher: vaidosa, sestrosa e sensual!
Perdão, amor doação, amor incondicional, alegria de viver, beleza das coisas e da vida. O contraponto da rigidez e seriedade nas nossas vidas.
Estou aprendendo a amá-la...do jeito que ela é...e estou adorando minhas descobertas! Obrigada por me ensinar.
MEU PROGENITOR, PROTETOR E PRIMEIRO AMOR
Lembranças ausentes até os sete anos, breves e muito leves são os flashs....
Minha mais remota lembrança: atendeu meu pedido de ir pra escola antes do tempo, aos 5 anos. Desisti na primeira semana, peguei o bonde andando e ainda sem maturidade.
Matinê aos domingos, enfileirados, do maior para o menor e fotografias com as roupas novas...
Feira livre: madrugar, carregar sacolas, vigiá-las...caminhar, caminhar, caminhar um salto, dois passos, um salto, dois passos - só assim conseguia acompanhar suas largas passadas...caminhar, caminhar, primeiros a chegar, últimos a sair: a xepa da feira!
Saúde, educação e alimentação - o que há de melhor!
Aos seis anos uma menina e seu irmão de cinco sozinhos ao dentista, sem fraquejar, sem sentir dor! O melhor profissional, o melhor tratamento dentário! melhores escolas, melhores professores..ai do mestre que não correspondesse...discurso garantido na reunião dos pais!
Difícil foi aceitar e acreditar que o melhor na maioria das vezes era ser diferente dos demais: no cabelo, no pensar, na merenda escolar, nos cadernos...
Diferenças marcantes e conflitantes que permearam o curso de nossas vidas. Ser "o melhor" foi um desafio infernal e me assombrou sempre minhas ações, sonhos, relações......ausência de manifestações de méritos, pois ainda há muito a "melhorar"
Leituras, minhas fugas. Obrigada! Aprendi a pensar, argumentatr e expressar.
Mingau de aveia com banana desciam quadrado garganta abaixo, mas mantinham meu corpo com gás esportivo.
Aos sábados cortar bigode no sofá da sala, ouvir as estórias e ficar presa que nem criança cagada nos seus braços na hora da sesta.
Noites longas, todos em volta da mesa, silêncio sepulcral com exceção das aulas de história que eram ricas na contextualização, noção de tempo e espaço!
Nas cólicas menstruais noturnas socorria-me com gotinhas milagrosas.
Aos domingos, levar e buscar ao clube. Meia noite, pontualmente, de variant vermelha, pijama, lá estava ele, meu anjo protetor!
É, de papai tenho saudades: do cheiro do bigode, do hálito de chimarrão, do olhar curioso e muitas vezes acuado. Do sorriso largo, lindo, dos lábios carnudos, das mãos grandes, quadradas e carinhosas afagando meus parcos cabelos.
Hoje abraço seu peito já miúdo e frágil, mas seus braços continuam grandes e abertos.
Ainda me aflige sua sede de saber, conhecer, descobrir, mas sossego quando lembro que sua sede é compartilhar e trocar.
Ele gosta de ser amado. Derrete-se com uma palavra doce e carinhosa....ou talvez apenas se lembre de sua menininha que tanto lhe amou, admirava e venerava!
Minha mais remota lembrança: atendeu meu pedido de ir pra escola antes do tempo, aos 5 anos. Desisti na primeira semana, peguei o bonde andando e ainda sem maturidade.
Matinê aos domingos, enfileirados, do maior para o menor e fotografias com as roupas novas...
Feira livre: madrugar, carregar sacolas, vigiá-las...caminhar, caminhar, caminhar um salto, dois passos, um salto, dois passos - só assim conseguia acompanhar suas largas passadas...caminhar, caminhar, primeiros a chegar, últimos a sair: a xepa da feira!
Saúde, educação e alimentação - o que há de melhor!
Aos seis anos uma menina e seu irmão de cinco sozinhos ao dentista, sem fraquejar, sem sentir dor! O melhor profissional, o melhor tratamento dentário! melhores escolas, melhores professores..ai do mestre que não correspondesse...discurso garantido na reunião dos pais!
Difícil foi aceitar e acreditar que o melhor na maioria das vezes era ser diferente dos demais: no cabelo, no pensar, na merenda escolar, nos cadernos...
Diferenças marcantes e conflitantes que permearam o curso de nossas vidas. Ser "o melhor" foi um desafio infernal e me assombrou sempre minhas ações, sonhos, relações......ausência de manifestações de méritos, pois ainda há muito a "melhorar"
Leituras, minhas fugas. Obrigada! Aprendi a pensar, argumentatr e expressar.
Mingau de aveia com banana desciam quadrado garganta abaixo, mas mantinham meu corpo com gás esportivo.
Aos sábados cortar bigode no sofá da sala, ouvir as estórias e ficar presa que nem criança cagada nos seus braços na hora da sesta.
Noites longas, todos em volta da mesa, silêncio sepulcral com exceção das aulas de história que eram ricas na contextualização, noção de tempo e espaço!
Nas cólicas menstruais noturnas socorria-me com gotinhas milagrosas.
Aos domingos, levar e buscar ao clube. Meia noite, pontualmente, de variant vermelha, pijama, lá estava ele, meu anjo protetor!
É, de papai tenho saudades: do cheiro do bigode, do hálito de chimarrão, do olhar curioso e muitas vezes acuado. Do sorriso largo, lindo, dos lábios carnudos, das mãos grandes, quadradas e carinhosas afagando meus parcos cabelos.
Hoje abraço seu peito já miúdo e frágil, mas seus braços continuam grandes e abertos.
Ainda me aflige sua sede de saber, conhecer, descobrir, mas sossego quando lembro que sua sede é compartilhar e trocar.
Ele gosta de ser amado. Derrete-se com uma palavra doce e carinhosa....ou talvez apenas se lembre de sua menininha que tanto lhe amou, admirava e venerava!
COMPANHEIROS DE INFÂNCIA
Eramos seis
O primeiro eu observei, solidarizei e comunguei
O segundo eu escolhi para amar
A terceira era eu, embrenhada na ninhada
Do quarto eu cuidei
No quinto eu mandei
E do último eu ignorei, nos últimos eu bati e dos outros apanhei!
Hoje do quarto me esqueci,
Do segundo tenho saudades
Do primeiro me afastei
Do quinto eu fugi e
E do último eu neguei!
Do quarto sempre cuidei. Quando fui pro ginásio me afastei.
Companheiro de infância e protegido!
...muito quieto, sorriso maroto, silencioso, olhos acuados, escondia sentimentos.
Conversávamos muito, em especial quando chegava alcoolizado. Procurava ter a paciência que mamãe não tinha.
Sempre lhe amparei, pois como um filho eu amei.
Era doce e gostava de doce! Muita paçoca comeu!
Todos disputavam o mesmo espaço, mas com ele nenhuma desavença.
Carinhoso comigo e com as crianças. Jamais alterava-se, sempre tranquilo e sereno.
Quando doente, muitas vezes eu também cuidei.
Quando internado eu acompanhei. Não sabia o que fazer, mas fiquei ao seu lado, na presença e na lembrança.
Do adeus eu me privei, mas na dor eu mergulhei
Muito gente pra atender, muitas coisa pra fazer, muito mundo pra correr e aprender a sobreviver...
O primeiro eu observei, solidarizei e comunguei
O segundo eu escolhi para amar
A terceira era eu, embrenhada na ninhada
Do quarto eu cuidei
No quinto eu mandei
E do último eu ignorei, nos últimos eu bati e dos outros apanhei!
Hoje do quarto me esqueci,
Do segundo tenho saudades
Do primeiro me afastei
Do quinto eu fugi e
E do último eu neguei!
Do quarto sempre cuidei. Quando fui pro ginásio me afastei.
Companheiro de infância e protegido!
...muito quieto, sorriso maroto, silencioso, olhos acuados, escondia sentimentos.
Conversávamos muito, em especial quando chegava alcoolizado. Procurava ter a paciência que mamãe não tinha.
Sempre lhe amparei, pois como um filho eu amei.
Era doce e gostava de doce! Muita paçoca comeu!
Todos disputavam o mesmo espaço, mas com ele nenhuma desavença.
Carinhoso comigo e com as crianças. Jamais alterava-se, sempre tranquilo e sereno.
Quando doente, muitas vezes eu também cuidei.
Quando internado eu acompanhei. Não sabia o que fazer, mas fiquei ao seu lado, na presença e na lembrança.
Do adeus eu me privei, mas na dor eu mergulhei
Muito gente pra atender, muitas coisa pra fazer, muito mundo pra correr e aprender a sobreviver...
A GINASIANA ADOLESCENTE
Período difícil, dores de cabeça, confusões emocionais, posturas instáveis, guerras internas, brigas externas afirmando ou firmando meus valores: necessidade de estabelecer espaços.
Conflitos sociais - diferenças gritantes entre valores familiares e valores sociais. As diferenças se intensificam e pertubam no falar, pensar, vestir-se, conviver....
O esporte é meu oásis. Mergulho no físico, no esforço, na disputa e na conquista. É por meio dele que me expresso e me escondo. Corro, salto, pulo, jogo, agarro e golpeio minhas angústia e meus temores. Necessito proteger meu espaço! Necessito sobreviver!
Me sinto diferente, estranha no ninho, assustada, desprotegida, vulnerável e entregue aos lobos.
Lobo mau, lobo bom...
Fuga é meu foco.
Mudança é meu desejo.
Ser, sem vigilância e policiamento.
Sentir sem a crítica
Ser amada sem ser rejeitada
Ser amada sem disputa
Sentir-se desejada e valorizada
Ter espaço para ser. Não ser mais um no caos.
Desafios e desejos de qualquer adolescente, é a conquista da individualidade, é a afirmação de seus sentidos e a tentativa de se conhecer.
Estar e sentir-se encurralada geram escolhas insensatas, delírios insanos, desejos confusos.
Fujo do caos e mergulho no desespero: um casamento que corta minha juventude!
....
Foi bom sonhar....com a beleza da vida, a harmonia, a realização de construir um ninho seguro, quente, acolhedor, expremir meu lado doce, exercitar a paciência, a compaixão, a maternidade.
Alimetos fortalecedores, esclarecedores e detonadores de novas mudanças - A MORTE DO LOBO
....um caminho solitário, a criação de meu espaço!
Conflitos sociais - diferenças gritantes entre valores familiares e valores sociais. As diferenças se intensificam e pertubam no falar, pensar, vestir-se, conviver....
O esporte é meu oásis. Mergulho no físico, no esforço, na disputa e na conquista. É por meio dele que me expresso e me escondo. Corro, salto, pulo, jogo, agarro e golpeio minhas angústia e meus temores. Necessito proteger meu espaço! Necessito sobreviver!
Me sinto diferente, estranha no ninho, assustada, desprotegida, vulnerável e entregue aos lobos.
Lobo mau, lobo bom...
Fuga é meu foco.
Mudança é meu desejo.
Ser, sem vigilância e policiamento.
Sentir sem a crítica
Ser amada sem ser rejeitada
Ser amada sem disputa
Sentir-se desejada e valorizada
Ter espaço para ser. Não ser mais um no caos.
Desafios e desejos de qualquer adolescente, é a conquista da individualidade, é a afirmação de seus sentidos e a tentativa de se conhecer.
Estar e sentir-se encurralada geram escolhas insensatas, delírios insanos, desejos confusos.
Fujo do caos e mergulho no desespero: um casamento que corta minha juventude!
....
Foi bom sonhar....com a beleza da vida, a harmonia, a realização de construir um ninho seguro, quente, acolhedor, expremir meu lado doce, exercitar a paciência, a compaixão, a maternidade.
Alimetos fortalecedores, esclarecedores e detonadores de novas mudanças - A MORTE DO LOBO
....um caminho solitário, a criação de meu espaço!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
REMOTAS LEMBRANÇAS
Poucas são as lembranças, mas fortes as que ficaram!
Das mais remotas lembro-me de um berço de vime redondo no centro de algum lugar e o mundo girava à minha volta...
...nas escadarias do morro do céu, primeira manifestação da sexualidade: olhar calcinhas das moças que subiam...
..meu primeiro velório - silêncio, pessoas atônitas, imobilidade, ritual..
...priemira responsabilidade: cuidar irmão mais novo no jardim de infância, esperando infinitamente alguém me resgatar pro ninho seguro, onde não seria mais a vigilante e sim vigiada!
Meu primeiro ano escolar foi um paraíso: Emíla, Emília, Emília um recanto de paz e alegria, um doce na minha vida! descobri a possibilidade de ganhar o mundo...escola, aprender, crescer, emancipar-se, deixar a infância pra trás. Emília minha primeira professora que com amor, doçura, paciência e muito carinho abriu a porta de um novo mundo. Os ditados eram minhas paixões - a prova de que já dominava a escrita, seguida das redações: a casa é bonita, tem janelas e portas, jardins com flores.....
Aos nove anos meu primeiro prêmio, forjado pela professora que me mostrou o resultado do enigma minutos antes do embate. Eu acertei, ganhei e ainda não descobri se foi meu anjo da guarda vestido de professora ou meu primeiro contato com o mundo dos espertos. Sorte não ter sido eu a autora da contravenção, mas fiquei sem entender, apesar de feliz em levar meu prêmio pra casa.
Muito intensa e prazerosa é também a lembrança de meu primeiro disco: A Bela Adormecida! uma rica menina, privada de sua infância e adolescência, quando sai de cena todos desaparecem, vigiada, preservada e mantida sob cuidados até encontrar alguém que a mereça.... sei que não foi o primeiro disco, mas esse foi o meu! ganho de uma forma única, especial e mágica. Naquela ocasião me causou grande impacto, pois privados de uma série de coisas, principalmente tudo que se relacionava ao lúdico, ao prazer, com um simples e único pedido fui agraciada por mamãe.
Me senti forte, amada, próxima. Foram dias após dias, anos após anos, gerações após gerações e até hoje canto as canções e percebo seus efeitos afetivos...
Crescendo, correndo, subindo em árvores e muros, jogando bola, tomando banho de chuva, brigando, gritando...seis filhos, cinco irmãos, homens, todos homens...a alma masculina passa ser meu encanto, minha referência e parceira. Eu era mais um menino, igual..para conseguir compartilhar...
Ainda aos nove anos hepatite. Parei, sosseguei com a promessa de ganhar três bonecas de uma só vez, a boneca da vez: Susi. Um mês, tempo pra esquecer as molecadas masculinas e descobrir a feminilidade. As bonecas me ajudaram, mas...não entendo como, após meu restabelecimento meus interesses mudaram, passei a usar blusas, hábito inexistente até então...
Furúnculos, vieram todos numa só ocasião e nunca mais. Me preparava para os exames de admissão. Só posso crer que as doenças e dores foram pontuais para provocar transformações, mudanças e amadurecimento.
Minha infância chega ao fim! Fui para o ginásio, então com 11 anos.
Das mais remotas lembro-me de um berço de vime redondo no centro de algum lugar e o mundo girava à minha volta...
...nas escadarias do morro do céu, primeira manifestação da sexualidade: olhar calcinhas das moças que subiam...
..meu primeiro velório - silêncio, pessoas atônitas, imobilidade, ritual..
...priemira responsabilidade: cuidar irmão mais novo no jardim de infância, esperando infinitamente alguém me resgatar pro ninho seguro, onde não seria mais a vigilante e sim vigiada!
Meu primeiro ano escolar foi um paraíso: Emíla, Emília, Emília um recanto de paz e alegria, um doce na minha vida! descobri a possibilidade de ganhar o mundo...escola, aprender, crescer, emancipar-se, deixar a infância pra trás. Emília minha primeira professora que com amor, doçura, paciência e muito carinho abriu a porta de um novo mundo. Os ditados eram minhas paixões - a prova de que já dominava a escrita, seguida das redações: a casa é bonita, tem janelas e portas, jardins com flores.....
Aos nove anos meu primeiro prêmio, forjado pela professora que me mostrou o resultado do enigma minutos antes do embate. Eu acertei, ganhei e ainda não descobri se foi meu anjo da guarda vestido de professora ou meu primeiro contato com o mundo dos espertos. Sorte não ter sido eu a autora da contravenção, mas fiquei sem entender, apesar de feliz em levar meu prêmio pra casa.
Muito intensa e prazerosa é também a lembrança de meu primeiro disco: A Bela Adormecida! uma rica menina, privada de sua infância e adolescência, quando sai de cena todos desaparecem, vigiada, preservada e mantida sob cuidados até encontrar alguém que a mereça.... sei que não foi o primeiro disco, mas esse foi o meu! ganho de uma forma única, especial e mágica. Naquela ocasião me causou grande impacto, pois privados de uma série de coisas, principalmente tudo que se relacionava ao lúdico, ao prazer, com um simples e único pedido fui agraciada por mamãe.
Me senti forte, amada, próxima. Foram dias após dias, anos após anos, gerações após gerações e até hoje canto as canções e percebo seus efeitos afetivos...
Crescendo, correndo, subindo em árvores e muros, jogando bola, tomando banho de chuva, brigando, gritando...seis filhos, cinco irmãos, homens, todos homens...a alma masculina passa ser meu encanto, minha referência e parceira. Eu era mais um menino, igual..para conseguir compartilhar...
Ainda aos nove anos hepatite. Parei, sosseguei com a promessa de ganhar três bonecas de uma só vez, a boneca da vez: Susi. Um mês, tempo pra esquecer as molecadas masculinas e descobrir a feminilidade. As bonecas me ajudaram, mas...não entendo como, após meu restabelecimento meus interesses mudaram, passei a usar blusas, hábito inexistente até então...
Furúnculos, vieram todos numa só ocasião e nunca mais. Me preparava para os exames de admissão. Só posso crer que as doenças e dores foram pontuais para provocar transformações, mudanças e amadurecimento.
Minha infância chega ao fim! Fui para o ginásio, então com 11 anos.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
QUEM SOU EU?
QUEM SOU EU??
Sou filha da mãe....mãe vaidosa, sestrosa e nervosa. Mãe que protege por amor, por medo e por instinto.
No ventre quente e grande senti sobressaltos, escutei gritos. Palavras doces e suaves foram poucas.
Foi nesse ventre que alicercei meu ser.
Cresci ágil, sapeca, esperta e antenada. Aos poucos fui me amendrontando....tornando-me tímida e receosa.
Pronto, surge aí minha primeira confrontação: como ser ativa, alegre mas com medo e insegurança?
As exigências ambientais trataram de determinar.....ainda pequena e vunerável, dependente do amparo e da proteção alheia, entrego-me ao outro, vou perdendo meu centro, vou absorvendo o mundo e esquecendo de mim....
Passam-se os anos sendo levada pelo vento, porém mesmo arrastada, acordada ou dormindo sentia algo.
Talvez um fio, um cutucar, uma faísca que sem saber de onde vinha ou pra onde ia..eu sentia.
Sou forte! Tenho luz! e assim, por maior que fossem as confusões internas e externas eu sempre percebi minha capacidade de intuir, escutar, perceber, processar e de me proteger!
Quem sou eu? Sou alegre, faceira, falante, amante da beleza, da harmonia, da paz, sou receptiva, doadora, parceira...sou feliz!
Quem não sou, muito embora tenha aprendido e relutado a ser ....triste, insegura, invejosa, mesquinha, angustiada, amarga, inquieta, dispersa...
Aprender a ser, descobrir ou reconhecer seu ser, é o que tenho feito nesses longos anos..e a cada dia me torno mais aberta, centrada e sintonizada com minha luz interna.
Sou filha da mãe....mãe vaidosa, sestrosa e nervosa. Mãe que protege por amor, por medo e por instinto.
No ventre quente e grande senti sobressaltos, escutei gritos. Palavras doces e suaves foram poucas.
Foi nesse ventre que alicercei meu ser.
Cresci ágil, sapeca, esperta e antenada. Aos poucos fui me amendrontando....tornando-me tímida e receosa.
Pronto, surge aí minha primeira confrontação: como ser ativa, alegre mas com medo e insegurança?
As exigências ambientais trataram de determinar.....ainda pequena e vunerável, dependente do amparo e da proteção alheia, entrego-me ao outro, vou perdendo meu centro, vou absorvendo o mundo e esquecendo de mim....
Passam-se os anos sendo levada pelo vento, porém mesmo arrastada, acordada ou dormindo sentia algo.
Talvez um fio, um cutucar, uma faísca que sem saber de onde vinha ou pra onde ia..eu sentia.
Sou forte! Tenho luz! e assim, por maior que fossem as confusões internas e externas eu sempre percebi minha capacidade de intuir, escutar, perceber, processar e de me proteger!
Quem sou eu? Sou alegre, faceira, falante, amante da beleza, da harmonia, da paz, sou receptiva, doadora, parceira...sou feliz!
Quem não sou, muito embora tenha aprendido e relutado a ser ....triste, insegura, invejosa, mesquinha, angustiada, amarga, inquieta, dispersa...
Aprender a ser, descobrir ou reconhecer seu ser, é o que tenho feito nesses longos anos..e a cada dia me torno mais aberta, centrada e sintonizada com minha luz interna.
domingo, 10 de outubro de 2010
NASCER
Tá difícil...preciso de silêncio, quietude ....privacidade...sou uma esponja, absorvo, sugo e me alimento do mundo externo. Mas vou nascer, vou insistir, me concentrar, focar, perceber meu coração, acalmar meus pensamentos, e desligar as antenas....me aguardem!
Nascer num domingo de primavera, num dia de sol, olhando as primeiras flores de meu jardim são bons presságios. Então menina, relaxe, solte, suave e harmoniosamente vá indo, buscando, mexendo, se ambientando e se apoderando da vontade de expressar o que corre nas veias, nos músculos, ossos, células e pele. Deixar o coração falar, respirar e fazer circular o que há de mais gostoso e pleno em meu corpo, mente, coração e espírito. Deve ser a tal da fala da alma...ela fala..ela expressa, ela sente, ela é o que eu sou. Hummm, preciso saber quem eu sou, que rei eu sou, que mulher, que menina, quem sabe sou muito antes de nascer?
Nascer num domingo de primavera, num dia de sol, olhando as primeiras flores de meu jardim são bons presságios. Então menina, relaxe, solte, suave e harmoniosamente vá indo, buscando, mexendo, se ambientando e se apoderando da vontade de expressar o que corre nas veias, nos músculos, ossos, células e pele. Deixar o coração falar, respirar e fazer circular o que há de mais gostoso e pleno em meu corpo, mente, coração e espírito. Deve ser a tal da fala da alma...ela fala..ela expressa, ela sente, ela é o que eu sou. Hummm, preciso saber quem eu sou, que rei eu sou, que mulher, que menina, quem sabe sou muito antes de nascer?
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