segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Carta de adeus aos amigos

Obrigada pelos momentos de cumplicidade, de alegrias, de amparo.
Obrigada por compartilhar e fortalecer a confiança no amor, no afeto e na segurança de que nos momentos de medo, receio e fragilidade eu poderia contar com vocês.
Expandir meu amor e minhas alegrias me fortaleceu
Contar com vocês foi reconfortante
Rir com vocês me nutriu
Chorar com vocês me comoveu e amparou
Preciso também pedir desculpas: pelas palavras rudes, impaciência, intolerância, arrogância e ausência.
Preciso ir...e desejo que seus pensamentos por mim sejam tranquilos e serenos....
Obrigada!

Carta de adeus aos meus pais

Quero agradecer!
...as fraldas trocadas, as noites acordadas
Ter me ensinado a andar, falar e cantar
Criado possibilidades para meu crescimento saudável
Ter me protegido e tentado evitar meu sofrimento.
Desejaria que até o último suspiro deles tentariam ser felizes, perdoando e não cultivando culpas.
Que saibam desfrutar do mundo de uma maneira suave e leve, deixando o rigor e as críticas se dissolverem pra o espaço
Diria que me deram todos os recursos para eu ser feliz: a vida
Que me permitiram fazer escolhas e que minhas escolhas foram positivas em função do amor que me deram.
Gostaria de pedir perdão: pelas palavras as vezes duras e cruéis, pela falta de jeito, pela escassez do carinho, pela ausência, pela dor que causei...
Gostaria também de tocar seus corações para que sentissem que eu os amo verdadeiramente e que a vida é breve mas profunda, e amei profundamente numa breve vida.
E....que estarei bem com a serenidade de quem deve partir

O que eu faria se só me restasse esse dia...

Eu escreveria cartas para meus pais, amigos e filhos agradecendo e manifestando meu afeto por eles.
Para os filhos escreveria palavras de conforto e incentivo. Que devem continuar a ser homens íntegros, felizes e cultivar o bem.
Procuraria vê-los e abraçá-los.
Iria a praia, rolaria na areia, colocaria os pés na água gelada, sentindo um arrepio dos pés à cabeça.
Se tivesse chovendo, tomaria banho de chuva e deitada de barriga pra cima faria conexão com o universo, buscando o desapego e o despreendimento dos sentidos, da matéria.
Não comeria, não beberia, apenas respiraria pensamentos leves, suaves e positivos.
Transpiraria amor pelos poros, nas palavras, no olhar, gestos e pensamentos.
Meu amado estaria ao meu lado, como sempre um companheiro, amparando, protegendo, compartilhando e me amando. E eu diria a ele que seu amor é imenso, lindo e verdadeiro.Que é um homem bom, generoso e forte e que deverá continuar cultivando esse amor dentro de si e propagar para os outros. Deverá ser feliz com a certeza de que fez tudo por mim, me amou e foi amado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Papéis

Assumir responsabilidades e comprometer-se, é dar ao outro a garantia de seu envolvimento, do seu empenho em cumprir o seu papel, em garantir a segurança naquilo que te diz respeito.
Quando vc faz somente aquilo que te mandam ou pedem, você se isenta do comprometimento, apenas obedece.
Estar, dividir, amar alguém é doar-se, é comprometer-se. É ser ativo, presente e apoderar-se do que é seu.
Amar a mãe, a esposa, o filho é quando nos comprometemos com a nossa parte de filho, esposo e pai. É assumir a sua parcela na relação, é fazer a sua parte, o seu papel de filho, esposo e pai.
Ninguém consegue ser feliz sem ser alguém, sem apropriar-se do que é seu, do seu papel. Mesmo que não seja filho, esposo ou pai terá de ser um homem!
Quando duas pessoas se unem para construir uma história, elas trazem consigo suas individualidades, e quando entram numa relação a dois devem manter com clareza os diferentes papéis que desempenham antes, durante e depois.
Devem preservar e cultivar cada papel que desempenha, sem, contudo misturá-los. Essa distinção de papéis e sua plena manifestação é que possibilitará transitar com harmonia e tranqüilidade entre as diferentes situações da vida.
É preciso saber qual seu papel, ou como vc. sente como filho, como esposo e com pai – separadamente, pois somente quando todos os papéis estiverem claros e incorporados é que vc. poderá transitar entre eles com maior segurança.
Por isso, nas 24 horas do seu dia, perceba e reserve algumas horas para cada papel/função, pois é alimentando-os diariamente que vc. ficará fortalecido.
Vc. não será o homem, o filho, o esposo e o pai perfeito!
Vc. será um homem aberto, flexível, tolerante para aprender a crescer, aprender e desfrutar do amor que existe nas pessoas que te amam.
Vc. errará, acertará, ficará triste, depois alegre, dormirá, acordará e assim é a vida....sobe, desce, erra, acerta, mas por trás de todas as nossas tentativas se houver tolerância consigo mesmo, tudo ficará bem, pois todos também estão tentando acertar para serem felizes.

Filhos crescidos

Por mais que uma mãe queira e deseje proteger seu filho, pegando e carregando-o no colo, isso só será possível somente enquanto ele for leve e ainda uma criança vulnerável que não desenvolveu suas imunidades.
Mas quando já crescidos, já percebem a crueza do mundo, já fazem escolhas, já identificam o bem do mal, aquilo que nos dá a luz daquilo que nos leva para a escuridão. E é nesse processo do poder de identificação que nos tornamos senhor de nós mesmos.
Ser mãe é educar, é guiar para o bem.
Ser mãe é querer o filho feliz, que aprendeu a fazer escolhas que lhe fazem bem e que auxiliam a amenizar os desafios da vida.
Todo ser vivo tem desafios, todos, sem exceção! É nossa condição na humanidade.
É preciso tornar os desafios mais prazerosos, estimulantes e instrumentos para nosso fortalecimento. É o que tenho tentado todos os dias, muitas vezes sozinha, poucas compartilhado.
Todos têm conflito. Todos sofrem com as agruras da vida. Todos encontram dificuldades em descobrir qual a melhor maneira de viver, assim como eu, tu ele, nós vós, eles.
Nós só mudamos quando construímos uma nova história, quando encontramos novos significados para nossas vidas.

Reflexões

Muitas vezes é um grande e pesado fardo carregar o caos do passado e a história da família. Esse fardo, já senti mais pesado e às vezes ainda sinto.
Deixo de senti-lo quando não coloco toda a responsabilidade sobre meus ombros, quando percebo que não sou a única responsável por tudo sozinha.
Sinto-me melhor e mais leve quando me dou conta e me aproprio somente daquilo que sou responsável, quando percebo o que posso fazer e o que está sob meu alcance, somente aquilo que depende de mim.
Dessa forma, faço o que me é possível e não tento tomar pra mim o que não consigo mudar porque não depende de mim.
Essa constatação foi um grande avanço para amenizar minhas angústias, pois descobri que a mim compete o que é meu, compete fazer o que me cabe, o que alcanço, o que é viável diante de minhas possibilidades.
Nos meus 51 anos de vida esse fardo, esse peso, essa tristeza esteve presente nos meus pensamentos, nas minhas ações e nos meus sonhos.
Todos os dias me esforço para superar. Não me tornei uma pessoa perfeita e sei que jamais serei, mas procuro, à meu modo, fazer as coisas de uma maneira mais tranqüila, coerente e acertada.
Ainda erro, muitas vezes! Nem sempre faço correto, mesmo achando que sim, e muitas vezes por não saber como fazer e outras por ainda estar cega e não perceber onde estão os erros.
Mas hoje, não me puno mais pelos meus erros, não me culpo e sim procuro reconhecer e voltar atrás para tentar fazer diferente e mais acertado. Não me culpo porque sei que estou tentando acertar, porque todos os dias sei que estou tentando aprender, que me esforço pra crescer.
Nesse engodo de sentimentos e condicionamentos familiares arraigados em todos nós, eu busco identificar o que posso e consigo modificar e transformar numa coisa melhor para mim e para quem eu amo.
No desespero, na escuridão, na dificuldade de identificar o que de errado está nos acontecendo, tento não culpar o mundo, as pessoas, meus pais, meus irmão ou meus filhos. Tento ver quais ações posso ter para não gerar tristeza, solidão e raiva.
Tento descobrir de que forma posso agir para me sentir melhor, mais segura para compartilhar. Foi reconhecendo esse sentimento de desespero e solidão que me esforçei para ficar melhor com as pessoas que amo.
Talvez nem sempre eu tenha conseguido, mas com certeza, todas as minhas ações e intenções foram para avançar. Porque desejo ser feliz para que eu possa desfrutar da alegria e leveza da vida.
Por mais que eu tente, se eu não fizer a minha parte, o que é meu esforço, meu intento, meu desejo de também sair dessa roda viva e ser mais feliz, tudo será em vão.
É preciso mudar o rumo dessa história ou caso contrário, sempre que me encontrar entre a cruz e a espada, sob pressão, sentirei todos os dias essa sensação de desespero, de estar carregando um fardo, de solidão, estarei à mercê dessa história familiar.
Não sou perfeita, a perfeição não existe! Existe a harmonia, a plenitude diante dos desafios e diferenças.
Agir corretamente diante dos desafios não exclui a existência deles.
Vivemos socialmente com pessoas diferentes e encontrar a harmonia entre essas diferentes relações é nossa busca.
Buscar a perfeição é não aceitar nossas limitações e erros, é ser rigoroso consigo e com o mundo, é tornar-se tenso e distante das diferentes manifestações da vida. É não aceitar o erro, a aprendizagem, as possibilidades de escolha.
É a solidão! Pois se não aceitamos o erro, excluímos possibilidades, oportunidades, e não nos permitimos enxergar novas formas de sentir, dividir, desfrutar, amar, crescer, trocar, compartilhar....

Quando me assusto, se sinto acuada e me identifico com os temores alheios, por instinto de sobrevivência me defendo. Minha defesa é devolver ao mundo, em dobro, a dor recebida, e assim começa e não termina uma sucessão de ofensas, defesas, desespero.
Crescer é identificar com isenção de intensa emoção, o que é de cada um, e cada um ficar com que é seu. É não tomar pra si o que é do outro ou dar ao outro a responsabilidade que não é dele. É não entrar na emoção do outro e identificar dentro de si quais, quanto e como tais emoções são verdadeiras.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Ebulição, revolução, transformação: em contato com a liberdade

Abri a porta: medo, vergonha, urgência e esperança.
Nessa ordem!
Minha teta me pertence!
A alegria, a saúde e a paz me aguardam.....demoro...mas vou lá!
Chega, acabou, pára tudo que eu quero descer!
Desse bonde pro inferno, vou pular

Assustador o espelho me mostrar a longa estrada percorrida e repetida...doente, leprosa e decadente...
Preciso urgente acordar, pois senão a morte vou encontrar!
Do começo ao recomeço:
Papai, mamãe, digam não para essa culpa sem razão.
E não me contem seus desatinos camuflados
Me excluam desse ranço visceral
E se livrem de seus medos doentios.
Preciso à liberdade encontrar!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Quero um cigarro

Quero um cigarro
porque estou pensando vertiginosamente,
porque necessito de pausa
porque faço contato comigo

Desacelerar, parar, cair, tombar...eis meu desejo: sucumbir no caos...
da vida para a morte....
da morte para uma nova vida!

Cá estou, enchendo a tripa da linguiça
Porque o feijão com arroz não me seduz