quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Visita 2

Descubro a origem de meu amor
É o espelho que agora reflete a luz
Somos três com um mesmo coração
Um coração doce, protetor, suave e incondicional
Que sofre ao ver a dor
Que afaga ao ver o desespero
Que protege ao ver o perigo
Mergulhamos na emoção do outro e perdemos o prumo
Recorremos ao rigor como forma de nos poupar e sucumbir à dor alheia
Pecamos no excesso, pois assumimos o papel de provedor
E na solidão nos afogamos, desconhecendo o equilíbrio
Visitantes eventuais
Tão distantes e tão semelhantes
Que me nutrem de luz
E despertam meu coração
adormecido e esquecido

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

SOBERBA

Minha soberba atrapalha
Meu caminho, meu olhar
Me protejo afastando da entrega e do tocar
Sou frágil quando amo, pois a tudo quero abraçar
Não conheço os limites
até onde posso despojar.
As defesas eu distorço
E exagero no trancar
E assim vou me distanciando
da alegria e do prazer em compartilhar

VISITA

Passados alguns anos, retorno ao espelho.
Vejo a loucura, a solidão empredada e o temor sedimentado
É através dele que percebo: essa não sou eu, essa não quero ser!
Isso é ele e dele!

Arraigado aos seus hábitos, manias e detalhes
Se segura nos seus princípios toscos e desgastados
Nega e repudia as diferenças com medo de se perder e pela vida ser levado...

Mergulhado e embriagado pelas letras e ideias desconexas.
Descontectado do real, do aqui e do agora, do mundo que é e está.
Do resultado de um passado amargo, de um presente adiado e de um futuro nublado.
Distante e ausente, não faz contato, consigo, comigo e conosco.
Solitário e infeliz afasta-se e se nutre na sua própria loucura.