quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O que é perdoar, amar e se libertar?


Perdão é filho do orgulho
Para perdoar foi preciso reter algo ruim e desconfortável dentro de si
Algo de fora que lhe tocou, mexeu, ameaçou sua segurança, defesas, autoestima e a sensação de vulnerabilidade ressurgiu
Algo que questionou seu controle e seu poder.
Orgulho

Perdoar sem limites
Perdoar cada ofensa, mesmo que frequente
Esquecer a si mesmo
Ser brando e humilde de coração
Ser indulgente, caridoso, generoso
Você é responsável pelos seus pensamentos
Que eles sejam despojados de rancor

Perdoe os inimigos, estará perdoando a si mesmo
Perdoe os amigos, para que também seja perdoado
Perdoe as ofensas, se tornará melhor
Evite ser duro, exigente e inflexível
Deixe cair no esquecimento qualquer ofensa
Colocando um véu sobre o passado
seja leve, sereno, suave e feliz!

O verdadeiro amor é incondicional
Não impõe condições
ama, confia, entrega e aceita
Criar expectativa em relação ao outro
É aprisionar-se e aprisiona-lo
Cada um tem sua liberdade
Cada um faz suas escolhas
cada um cria suas possibilidades
De amar e ser amado.

A LOUCURA



A loucura é um produto da relação entre o homem e o mundo que afasta, distancia o homem de si mesmo, aliena sua natureza.

O homem na loucura não perde a verdade, mas a "sua" verdade.

Não são mais as leis do mundo que lhe escapam, mas ele mesmo que escapa às leis de sua própria essência.

O processo da busca em cuidar-se se dissipa...

Leve e suave


Quando a entrega for sem medo
Quando o desprendimento sem apego
Onde nada significa, nem tão pouco justifica
Estarei livre, leve sem o dia, sem o tempo a definir algum trajeto
O que dará sentido à vida se as formas e os porquês dissolvidos?

28/02/2017

Quem sou eu?



Fui mãe ainda criança
De forma atropelada tentei viver a juventude
Adulta enfrentei as vicissitudes de decisões e escolhas infantis
Na maturidade colhi frutos do desequilíbrio desse descompasso temporal
Meu final, afinal, não foi de todo mal, pois a vida foi vivida e nela me fortaleci

30/07/2014

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Rastros saudosos





Aqueles que se vão nos deixam lembranças, ruins e boas. Na maioria boas, pois a saudade quando grita são as boas lembranças que estão emergindo.
Que lembranças minhas terão?
Suponho que se lembrarão da minha inquietude em relação ao caos, a bagunça e ao barulho; da insistência em buscar a estabilidade e controle, ou seja, de tudo aquilo que me apavora e me faz sentir insegurança e medo, daquilo que me assustou e desesperou no meu caminhar.
Irão lembrar do meu perfume! meu cheiro de jasmim, de madeira, do cravo e da canela, cheiros que me remetem à paz e ao sossego!
Será que lembrarão do meu silêncio? Da escuridão que eu gostava de ficar lendo, jogando, trabalhando? Mas talvez do sorriso largo e fácil não esquecerão, sorriso molar, como dizia meu dentista.
Daqueles que desfrutaram de minha comida, talvez também sintam saudade.
Sentir saudade é gostoso! Lembranças boas nos trás alegria!
Vou sentir saudade do mar, do som das ondas quebrando, das espumas brancas, da areia quente e rir das minhas tentativas de pegar jacaré. 
Das pessoas que estavam próximas de mim, daqueles que me amaram fazendo- me sentir viva e feliz, da minha casa cheirosa, aconchegante e acolhedora, da sua segurança e proteção que significava. Saudade do sol do inverno, da chuva de verão, das flores e das árvores que sempre me inspiraram, nutriram e me fizeram mais forte e serena: dos altos Garapuvus, coloridos manacás da serra, imensos e amplos flamboyants, floridos jacarandás e quaresmeiras. Espero encontrar por onde eu for, montanhas verdes, virgens e arborizadas! Como são belas, portentosas e inabaláveis! É de lá que eu vim e pra lá quero ir, sempre! Serra do Rio do Rastro, da Dona Francisca, da Graciosa, Floresta da Tijuca, Cambirela.
Será que tenho alguém pra perdoar antes de partir? Sim, de muitas pessoas e situações preciso me redimir! Muitas mágoas acumulei, muitas dores causei e tantas outras não curei!
Meu ciúme, inveja, orgulho, arrogância e vaidade, quanta blasfêmia ao grande universo harmonioso, amoroso e acolhedor! Meu sincero perdão à tudo e à todos!

É tão surpreendente essa vida, com que facilidade nos apegamos, contudo a matéria é tão vaga e finita! Hoje esbarro com mil pessoas no mercado, nas ruas, no restaurante e amanhã nunca mais posso encontra-las, que marcas e historias ficam? Nenhuma, pois não agregaram significados. Dificuldade de estar no mundo e perceber que tudo é tão etéreo, sublime e sutil!
Com quem ficarão minhas roupas, plantas, panelas, cobertas, toalhas, tudo aquilo que me cercou, representou e me encantou? Querer e ter são desejos fascinantes, mágicos, alienantes e hipnotizantes; perder e entregar são doídos, solitários e desesperadores. Não conhecemos outro modo de vida nessa terra de viventes, parece que tudo se baseia nisso.
Passo meus dias exercitando o desapego, tentando insignificar ou resignificar meus quereres. Temo pelo sofrimento do outro frente à minha partida, sinto o amor do outro pela minha companhia e lamento ter que abandona-los assim no meio do caminho, pois temos a eterna sensação que ainda não é hora, que falta muito a ser vivido, porque estamos sempre no futuro ou no passado, lembrando das coisas que já se foram.
Estou sem futuro, um grande desafio e oportunidade para viver o presente! 
Estou experimentando o verdadeiro sentimento de finitude e de que o que tenho hoje deixarei pra trás sem dor ou pesar, quero estar leve, sem peso pra carregar, quero estar serena, sem contas para acertar. A paz eu quero encontrar!!!

Descanso merecido



Hoje percebo o quanto sempre fui doente, nasci doente!
Sou fruto de uma união desajustada, de dois seres inquietos, angustiados e depressivos. 
Cresci num ambiente claustrofóbico, onde o desejo de não estar ali era presente e constante. 
Fiz escolhas absurdas e desconcertantes que resultaram na multiplicação de dores e de frutos doentios.
Se olho pra trás vejo minhas dores, tristezas e concluo que sempre fui depressiva e angustiada. 
Se busco entender como sobrevivi diante de tantos desafios suicidas, percebo que foi minha rigidez que me segurou e meu orgulho que não permitiu sucumbir. 
Quando me dizem que sou forte, não fico feliz, pois sei que minha fortaleza foi construída nos alicerces da dor, do orgulho, da ambição e da teimosia. 
Meu sofrimento se transformou em força e me manteve adoecida ao longo de minha vida. 
Quando lembro da minha filha e sua imensa batalha contra a dor e sofrimento, eu me reconheço, porém ela se revoltava e gritava aos quatro cantos, já eu me encolhia e me resguardava solitária no meu esconderijo.
O resultado de meu constante medo e pavor tornaram meus músculos, sentimentos e princípios rígidos e inflexíveis, sequei minhas águas emocionais, me afastei de todos e de mim mesma, meu pavor de contato com os outros era evidente, preferindo sempre a solidão e o silêncio. 
Sou tensa, ansiosa, rígida, indecisa, o medo do passado, do presente e do futuro me paralisa, receio dormir, acordar e viver!
Estou sempre em alerta, seguro objetos com força, levanto os ombros e tenciono os músculos, dos pés à cabeça quando entro em ação, desde o ouvir, ver, falar ou tocar, tudo acesso e em alerta, ai como cansa!
Sei que meus filhos, todos têm o mesmo sentimento, as mesmas dores e angústias, o mesmo grande e profundo vazio existencial e isso para mim, mãe, é insuportável, insustentável, desesperador e mortal. 
Necessito de descanso e paz, já se passaram muitos anos, estou cansada!