Canções de ninar: patrimônio de lembranças largas, profundas e duradouras.
marcas de uma língua ancestral
Registro das origens espalhados no tempo
Sem letra mas com palavras
Cantando o mundo com o olhar sereno
Cantos eternos e multilingues de viagens e sonhos.
Não vim ao mundo para contemplar, vim para causar. Pouco dormi, muito trabalhei Eu não sento e espero, eu faço. Muitos me temem, com poucos compartilho Não sou dessa terra, sou do universo Não sou de assistir, sou de me apropriar, do tempo e da vida Eu penso excessivamente É, sou diferente, estranha, difícil
terça-feira, 16 de novembro de 2010
As roupas espalhadas, camas desarrumadas, brinquedos pelo chão, almofadas deslocadas: muito a fazer, muito a dizer: recolha o lixo, compre pão, pendure as toalhas....
Um brincava, outro escutava a tv ligada.
Quando não limpar, cozinhar: bolos, pães de minuto, tortas de bananas, sopas.
Descansava na leitura...
Mesa posta, comida na mesa. Todos juntos banqueteando a diversiade dos pratos e as delícias produzidas. Fartura, alegria e prazer na hora de comer!
Os meninos iam e vinham, mamãe as vezes está com eles, as vezes com ela mesma, sempre inteira, desprovida e receptiva.
E todos atentos para receber a palavra de forma cinestésica e conciliadora, sacralizando os momentos coletivos.
Lembranças guardadas no futuro!
Um brincava, outro escutava a tv ligada.
Quando não limpar, cozinhar: bolos, pães de minuto, tortas de bananas, sopas.
Descansava na leitura...
Mesa posta, comida na mesa. Todos juntos banqueteando a diversiade dos pratos e as delícias produzidas. Fartura, alegria e prazer na hora de comer!
Os meninos iam e vinham, mamãe as vezes está com eles, as vezes com ela mesma, sempre inteira, desprovida e receptiva.
E todos atentos para receber a palavra de forma cinestésica e conciliadora, sacralizando os momentos coletivos.
Lembranças guardadas no futuro!
O Velho
O velho sabe. Na oralidade repassa a origem e a história dos antepassados.
O registro está na fala, no olhar, nos gestos e expressões.
O velho carrega em si donde viemos, onde e como estamos.
Na oralidade há troca de saberes: a fala da floresta, do fogo, do rio, dos mares e dos ares.
Oralidade: conhecimento compartilhado.
É à volta do fogo que ocorre o processo de elaboração dos símbolos, mitos e a circulação social das experiências.
O registro está na fala, no olhar, nos gestos e expressões.
O velho carrega em si donde viemos, onde e como estamos.
Na oralidade há troca de saberes: a fala da floresta, do fogo, do rio, dos mares e dos ares.
Oralidade: conhecimento compartilhado.
É à volta do fogo que ocorre o processo de elaboração dos símbolos, mitos e a circulação social das experiências.
Identidade
Quando sou, sou diferente
Sou ontem, hoje e amanhã
Há diferenças, mas ainda sou
Única
Sugo o ambinete, interajo com o mundo
E me aproprio do meu ser
Unidade identidária
Revestida de mim mesma
Sou ontem, hoje e amanhã
Há diferenças, mas ainda sou
Única
Sugo o ambinete, interajo com o mundo
E me aproprio do meu ser
Unidade identidária
Revestida de mim mesma
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
EMPODERAMENTO
Eu, Eu, Eu
Quero
Gosto
Faço
Amo
Choro
Como
Sou,Sou, Sou
amada, gostosa, querida, risonha, carinhosa...generosa
Gene Rosa...será? De onde vem o gen rosa?
Preciso procurar e achar: quero ser generosa!!!!
Quero
Gosto
Faço
Amo
Choro
Como
Sou,Sou, Sou
amada, gostosa, querida, risonha, carinhosa...generosa
Gene Rosa...será? De onde vem o gen rosa?
Preciso procurar e achar: quero ser generosa!!!!
Das futilidades fugi.
Mas tonta, me confundi.
Entre o prazer e o pecado
Tudo me foi negado.
Confusa e vunerável
Adotei idéias toscas e muitas vezes conservadoras.
Da linha traçada, imaginária e retilínea
De nada me fazia escapulir, com medo de cair.
O rigor era meu mestre
Com o pavor de me trair
e dos encantos do prazer
De nada subtraí
Hoje canto aos quatro cantos
Mergulho num bom prato
De valores até então negados
Desconheço o que gosto
Por força do descaso
Mas com força e interesse, vou explorando os espaços.
Faço tudo o que posso
No calor dos meus desejos
E com carinho me afago no mundo dos prazeres!
Mas tonta, me confundi.
Entre o prazer e o pecado
Tudo me foi negado.
Confusa e vunerável
Adotei idéias toscas e muitas vezes conservadoras.
Da linha traçada, imaginária e retilínea
De nada me fazia escapulir, com medo de cair.
O rigor era meu mestre
Com o pavor de me trair
e dos encantos do prazer
De nada subtraí
Hoje canto aos quatro cantos
Mergulho num bom prato
De valores até então negados
Desconheço o que gosto
Por força do descaso
Mas com força e interesse, vou explorando os espaços.
Faço tudo o que posso
No calor dos meus desejos
E com carinho me afago no mundo dos prazeres!
Me chamam de bobinha.
De tanto falar da dor e do processo interior.
Olha, vejam que bobagem, mirar somente a escuridão!
Nada posso argumentar. Tudo posso expressar.
Tanto faz o que o outro veja, cada um com seu olhar.
Para entender meu eterno flutuar, busquei as emoções miúdas, esquecidas pelo tempo.
As alegrias esquecemos de tanto festejadas.
As tristezas no entanto, aquecem-se entre as fibras de meus músculos sem cessar.
Tenho fome, tenho sede
de viver serenamente e com o mundo celebrar!
Tenho fome, tenho sede
De gritar e alcançar a paz com meus queridos
E do afeto desfrutar!
Tenho fome, tenho sede
De dormir sem despertar com o medo de enfrentar
Meus demônios encrustados desde o osso até o pescoço!
Tenho sede, tenho fome
De realizar sem parar
Esse caminho que tanto me faz pensar e tanto bem me dá!
Portanto, tanto importa o que pensam ou o que falam sem parar
Da vida me apossei e nunca mais posso largar
Vejam só que coisa bela
Da dor ganhei o amor
E nesse incessante pensar agora já posso amar!
De tanto falar da dor e do processo interior.
Olha, vejam que bobagem, mirar somente a escuridão!
Nada posso argumentar. Tudo posso expressar.
Tanto faz o que o outro veja, cada um com seu olhar.
Para entender meu eterno flutuar, busquei as emoções miúdas, esquecidas pelo tempo.
As alegrias esquecemos de tanto festejadas.
As tristezas no entanto, aquecem-se entre as fibras de meus músculos sem cessar.
Tenho fome, tenho sede
de viver serenamente e com o mundo celebrar!
Tenho fome, tenho sede
De gritar e alcançar a paz com meus queridos
E do afeto desfrutar!
Tenho fome, tenho sede
De dormir sem despertar com o medo de enfrentar
Meus demônios encrustados desde o osso até o pescoço!
Tenho sede, tenho fome
De realizar sem parar
Esse caminho que tanto me faz pensar e tanto bem me dá!
Portanto, tanto importa o que pensam ou o que falam sem parar
Da vida me apossei e nunca mais posso largar
Vejam só que coisa bela
Da dor ganhei o amor
E nesse incessante pensar agora já posso amar!
Casa cheia e barulhenta. Entre e sai incessante, misturando assuntos e selando parcerias.
Trocando, criando e transformando as visões do novo mundo.
Noites tristes ou alegres, celebradas com furor do alcool às outras drogas para adormecer o mal da dor.
Porta aberta pro amor, mas nem sempre é ele o visitante. De tão tolo o coração, desviou-se a intenção!
Desde sempre o entra e sai que prá todos uma ilusão.
Nada, nada, nada preenchia o vazio eternamente presente.
Todos somos solitários, enquanto buscamos de fora. E daquilo que recebemos, nada basta aos nossos distantes alentos.
Mundo terra, mundo físico: grande embalo pra dormir e adiar o desafio...
Companheiros de estrada, desde cedo até o fim.
Cada um fez sua jornada com a sobra do festim!
Trocando, criando e transformando as visões do novo mundo.
Noites tristes ou alegres, celebradas com furor do alcool às outras drogas para adormecer o mal da dor.
Porta aberta pro amor, mas nem sempre é ele o visitante. De tão tolo o coração, desviou-se a intenção!
Desde sempre o entra e sai que prá todos uma ilusão.
Nada, nada, nada preenchia o vazio eternamente presente.
Todos somos solitários, enquanto buscamos de fora. E daquilo que recebemos, nada basta aos nossos distantes alentos.
Mundo terra, mundo físico: grande embalo pra dormir e adiar o desafio...
Companheiros de estrada, desde cedo até o fim.
Cada um fez sua jornada com a sobra do festim!
Á sombra de um jacarandá florido, no final da primavera, prenúncio do verão, descanso.
O calor me entorpece. Não há água, sorvete ou banho que me alivia.
Calores, suores e agonias de uma idade já corrida.
Meu corpo ainda resiste, encara o esforço, mas com parcimônia.
Meus dentes ainda mastigam e meus olhos, mesmo cansados, alcançam o horizonte.
Mas esse calor...me enlouquece...no verão me aborrece!
O calor me entorpece. Não há água, sorvete ou banho que me alivia.
Calores, suores e agonias de uma idade já corrida.
Meu corpo ainda resiste, encara o esforço, mas com parcimônia.
Meus dentes ainda mastigam e meus olhos, mesmo cansados, alcançam o horizonte.
Mas esse calor...me enlouquece...no verão me aborrece!
terça-feira, 2 de novembro de 2010
CATARSE COLETIVA
Comigo foi aos 16, com a primogênita foi aos 15.
Ambas imprensadas, asfixiadas e angustiadas: romperam.
Coisas novas hão de vir, mundo grande à descobrir!
Muitos anos se passaram e foi no dobro da idade que ocorreu a virada.
Eu com 34 ela com 32. Menos tempo à perder e com foco no querer.
Dos meninos desconheço os requintes dos detalhes...
O primeiro dos 14 aos 16 conheceu o mundo escuro e perigoso.
De tão quieto, esquecido. Não me lembro do depois...sem barulho e sorrateiro tem rodado desorientado.
O segundo sempre alegre e disposto conquistando seu espaço. Muitos amigos e passeios, procurava companheiros.
Aos dezoito entristeceu...viu-se só e abandonado e de lá não retornou...
O mais novo por sua vez continua barulhento, mesmo sozinho e largado, mas nunca conformado.
Quer buscar os irmãos espalhados, mas sem forças e descompensado, lamenta entre os derrotados.
Triste fim de um legado, que de tanto amor, guardei, mas com pecado esperei, prum dia nunca chegado!
Ambas imprensadas, asfixiadas e angustiadas: romperam.
Coisas novas hão de vir, mundo grande à descobrir!
Muitos anos se passaram e foi no dobro da idade que ocorreu a virada.
Eu com 34 ela com 32. Menos tempo à perder e com foco no querer.
Dos meninos desconheço os requintes dos detalhes...
O primeiro dos 14 aos 16 conheceu o mundo escuro e perigoso.
De tão quieto, esquecido. Não me lembro do depois...sem barulho e sorrateiro tem rodado desorientado.
O segundo sempre alegre e disposto conquistando seu espaço. Muitos amigos e passeios, procurava companheiros.
Aos dezoito entristeceu...viu-se só e abandonado e de lá não retornou...
O mais novo por sua vez continua barulhento, mesmo sozinho e largado, mas nunca conformado.
Quer buscar os irmãos espalhados, mas sem forças e descompensado, lamenta entre os derrotados.
Triste fim de um legado, que de tanto amor, guardei, mas com pecado esperei, prum dia nunca chegado!
Amados Pupilos
Vingou forte e enraizada. Com a missão de desbravar, abriu alas pra passar. Forte e altaneira!
Em seguida veio a luz, a calma, a parada do tempo, tempo de meditar.
Do descanso merecido surge o gordo e feliz. O curioso e expansor dos horizontes.
Sozinho não quis ficar...
Então surge o chorão, o esquecido, o retardatário, que deixaram para trás....e com a força da vontade e com muito barulho revela-se: destemido e o mensageiro da liberdade e do amor!
Primeiro frágeis bebês e crianças. Depois jovens, adultos e maduros. Sempre filhos
Tornarem-se homens felizes é nosso sonho
Privá-los de sofrimento impossível
Protegê-los quando crianças e jovens é nosso cuidado
Mas em todos os estágios, amá-los.
Amor para filhos é diferente
Não importa o que eles façam
É um sentimento inusitado que não se pode controlar
Nem sequer negar
São pedaços de mim, que quando espalhados me devolvem sentimentos esquecidos ou não revelados.
Quanto maior a quantidade de pedaços espalhados, mais gigante é constatado, meu interior emaranhado.
Em seguida veio a luz, a calma, a parada do tempo, tempo de meditar.
Do descanso merecido surge o gordo e feliz. O curioso e expansor dos horizontes.
Sozinho não quis ficar...
Então surge o chorão, o esquecido, o retardatário, que deixaram para trás....e com a força da vontade e com muito barulho revela-se: destemido e o mensageiro da liberdade e do amor!
Primeiro frágeis bebês e crianças. Depois jovens, adultos e maduros. Sempre filhos
Tornarem-se homens felizes é nosso sonho
Privá-los de sofrimento impossível
Protegê-los quando crianças e jovens é nosso cuidado
Mas em todos os estágios, amá-los.
Amor para filhos é diferente
Não importa o que eles façam
É um sentimento inusitado que não se pode controlar
Nem sequer negar
São pedaços de mim, que quando espalhados me devolvem sentimentos esquecidos ou não revelados.
Quanto maior a quantidade de pedaços espalhados, mais gigante é constatado, meu interior emaranhado.
Um Pequeno Grande Inferno
Uma mochila, duas crianças em cada mão
Passado para trás, futuro pela frente
Na sala somos empilhados e espalhados pelo chão.
O mais novo chora, e muito! estranhando a mudança
Os demais, curiosos arregalam os olhos e exploram o novo espaço:
Um pequeno grande inferno!
Ao todo nove pessoas apertadas, inquietas e desorientadas
Sem papéis definidos, disputam de igual pra igual e vorazmente a comida, a tv, o sofá, o banheiro, a atenção...no pequeno grande inferno!
Todos tristes, enjaulados, limitados esperando a salvação.
Desse horror me afastei, de dia mergulho no trabalho a noite elaboro a catarse
Escapando do inferno por algumas horas, me recomponho e me fortaleço, novas forças reestabeleço
para tentar mudanças e alterar situação e as crianças eu salva-las, resgatando-as do inferno.
Foram sete anos no caldeirão do horror
Entre o sexto e sétimo algumas tentativas de mudanças, mas no oitavo a liberdade!
Liberdade de espaço: cada um na sua cama, quando não na da mamãe...
Que alívio, que beleza! O poder de escolher a liberdade de viver!
Passado para trás, futuro pela frente
Na sala somos empilhados e espalhados pelo chão.
O mais novo chora, e muito! estranhando a mudança
Os demais, curiosos arregalam os olhos e exploram o novo espaço:
Um pequeno grande inferno!
Ao todo nove pessoas apertadas, inquietas e desorientadas
Sem papéis definidos, disputam de igual pra igual e vorazmente a comida, a tv, o sofá, o banheiro, a atenção...no pequeno grande inferno!
Todos tristes, enjaulados, limitados esperando a salvação.
Desse horror me afastei, de dia mergulho no trabalho a noite elaboro a catarse
Escapando do inferno por algumas horas, me recomponho e me fortaleço, novas forças reestabeleço
para tentar mudanças e alterar situação e as crianças eu salva-las, resgatando-as do inferno.
Foram sete anos no caldeirão do horror
Entre o sexto e sétimo algumas tentativas de mudanças, mas no oitavo a liberdade!
Liberdade de espaço: cada um na sua cama, quando não na da mamãe...
Que alívio, que beleza! O poder de escolher a liberdade de viver!
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