terça-feira, 26 de outubro de 2010

MAMÃE

Faceira, sestrosa, vaidosa...
Perucas, roupas, presentes, risadas.
O leito matrimonial era nosso refúgio. Momentos de alegria, dos carinhos, do tocar...apesar das desagradáveis surtos de sadismo ao esfolar nossas feridas ou ao desferir "tapas na cara" alegando serem de amor.
Surtos, alternâncias de humor, imprevisibilidade, mas nada abalava nossa segurança de que nela tínhamos um porto seguro para sermos como eramos e aceitos como filhos.
Intuitiva, sensível descobria e diagnosticava todas os nossos males infantis: sarampo, cachumba, catapora, até hepatite.
Com o tempo a intuição e a sensibilidade tornam-se em hipocrondria, desequilíbrio e desespero. A predominância da rigidez familiar destrói seus encantos, a sufoca impedindo-a de manifestar seus dons mais preciosos.
Mas sua luz, seu encanto e seu poder de amar e agradar não morrem, transferem-se para a excessiva vaidade - ser bonita para ser aceita e amada.
A extrapolação permanece no exagero, na vaidade, na intensificação dos sentimentos, as preocupações  se instalam. Acentuam-se a insegurança, a inquietude, torna-se infeliz.
...mãe e esposa, porém sem espaço pra ser. Fomos perdendo e ela esquecendo.
Porém, mulher é permitido ser, reforçado e estimulado....só é permitido ser mulher: vaidosa, sestrosa e sensual!
Perdão, amor doação, amor incondicional, alegria de viver, beleza das coisas e da vida. O contraponto da rigidez e seriedade nas nossas vidas.
Estou aprendendo a amá-la...do jeito que ela é...e estou adorando minhas descobertas! Obrigada por me ensinar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário