quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ela já estava atrasada, mas não conseguia se decidir pela calça lilás ou roxa.
A blusa já estava decidida, pois queria estrear o novo modelito cuja idéia havia usurpado da vitrine de umas das lojas mais modernas e frequentadas da sociedade local.
Seus olhos atentos e perspicazes, um sentido estético apurado, ela era capaz de reproduzir suas roupas sem ao menos necessitar do auxílio de um molde, de jornal ou papel de pão. Tudo o que confeccionava era "no olho"!
- Mercedes!! onde está minha saia preta? Pergunta à empregada que já esperava ser requisitada.
- Qual delas senhora?
Não eram duas nem três, eram muitas as saias pretas: curta, longa, de malha, de flores, com botões.....assim como eram muitas as roupas já jogadas e espalhadas por cima da cama.
Enquanto revirava a gaveta da cômoda pensava que desculpa daria hoje pelo atraso no trabalho.
Todos os dias, religiosamente o ritual se repetia: a difícil decisão do que vestir, as alternâncias de provas, a mobilização das pessoas à sua volta para ajudá-la e o atraso de seus compromissos.
Tudo em nome de sua vaidade e perfeccionismo estético!

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