sábado, 30 de outubro de 2010

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Tenho apenas 23 anos, ainda mocinha, jovem, saudável e viçosa.
Perdida, deslocada e estraçalhada....apostar todas as fichas, entregar-se, doar-se num projeto e sentindo-se constantemente só, abandonada e rejeitada, pois a união me deixou ainda mais isolada do mundo, devido ao tipo de vida que escolhemos e ao parceiro que escolhi.
Passados quase 6 anos, inicio uma nova e longa jornada. Me fortaleço praticando yoga, resgato velhos amigos e faço novos.
Fui buscar o mundo. Difícil, muito difícil. Como viver minha "ainda" juventude, sendo mãe e mulher?
Como conseguir ser a única provedora do sustento, do amor, da atenção dos quatro filhos, sendo que o último estava apenas com quatro meses?
Coloquei um peso enorme em minhas costas e não soube dividir. Me considerei a única responsável por tudo o que estava acontecendo, a mentora, a provocadora, a incosequente e cada vez mais me sentindo sozinha, sem direito à compartilhar.
Mas valente e destemida fui...traçando nossas vidas...
De dia mãe, a noite mulher
De dia trabalhar, lavar, cozinhar, varrer, brincar
De noite dançar, cantar, beber, namorar
A cada mudança de turno um sofrimento, queria me tornar invisível e com mágica estar nos dois lugares ao mesmo tempo e mesmo sofrendo com a dor de estar partida ao meio tinha que aprender a viver...
Às cegas, tateando e observando fui tentando descobrir a mulher, a menina que tanto sofria e nada sabia.

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