domingo, 15 de setembro de 2019

Maioridade e solteirice


Era janeiro de 1983
Foi o ano de minha suposta libertação!
Mera ilusão, a vida é dura e infalível, só na morte sossegamos.
Poucas malas, sendo que a mais leve carreguei no colo.
Mãos carregadas de piás.
Jurava estar livre, do medo, da violência e da dependência.
Mas constatei estar presa ao medo da incerteza e do futuro.
Pensei estar partindo do inferno
Mas partia para uma batalha pior, solitária e escura
Quem decidia era eu, quem se estrepava éramos nós .
Havia vantagens, podia viver uma juventude desconhecida e assim conhecer a maioridade.
Mas a confusão era grande, ser mãe e mulher são sentimentos distintos
São posturas diferentes
São papéis deslocados
Me virei do avesso, me vesti e despi da culpa, me meti em infernos surreais e desconcertantes do meu querer.
Foi aprendizado, desnecessário, mas em outras circunstâncias, a paz seria meu lar.

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