domingo, 15 de setembro de 2019

Inquietude por segurança



Eu tenho um medo, traduzido em desespero que só agora começo a reconhecer e quem sabe esse processo me acalme a alma.
Passei a vida construindo casas, foram oito no total e estou iniciando a nona.
Que loucura é essa?
Nasci numa casa onde tinha que dividir tudo, minúscula e barulhenta. 
Na minha infância dividi o quarto com mais 4 irmãos homens e na adolescência fui pra sala, dormir num sofá cama, em meio a alucinante energia e dinâmica das longas noites de estudos, discursos ou discussões.  
Dessa situação desconfortável e desajustada fugi, na ilusão de poder ter minha própria cama. 
Mas passei a dividir com os filhos na barriga e com um marido insistente que não sossegava de parar de me assediar.
Com ele foram tantas casas, todos lares inseguros e inconstantes, não sabia o dia de amanhã, se haveria comida, abrigo, sono, nada era garantido.
Assim que consegui me ver livre da dependência de pessoas inconstantes e imprevisíveis, tratei de garantir um lar, um abrigo onde me acolher. Até aí já tinha quatro filhos, e nunca me adaptei ao barulho, às discussões e ao intenso movimento do ir e vir. 
Querendo estar sempre sossegada e no silêncio, tratei do sonho de construir um abrigo para cada filho, desse modo, estariam com suas vidas cada um no seu ritmo e eu estaria garantindo minha paz, meu silêncio, sabendo que estariam bem abrigados do frio e das intempéries. 

04/09/2019

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