E assim se vão esvaindo...minhas lembranças momentâneas e um bocado das remotas.
Não sei a causa, poderá ser Alzaimer, velhice ou quimioterapia, só sei que esqueço.
Desligada eu sigo como muito desejei, ser desprendida, sair do controle, ser mais leve e serena.
Escolho esquecer das dores de uma vida exaustiva, dos compromissos enfadonhos, do excesso de controle sobre tudo que me cerca.
É assustador pensar que minha vida possa estar nas mãos de outros, o que construí com tanta força e determinação já não me pertence mais.
Que os frutos de minha árdua conquista deverão ser usufruídos por aqueles cuja batalha não foi compartilhada.
Todavia, é disso que preciso: desapego, me cuidar, abrir mão daquilo que não traz significado pra minha alma, quero ser liberta.
Sou livre? Não vivo o hoje sem pensar no outro, ainda sou refém das convenções, dos valores morais, éticos e sociais. Tenho medo de ir e vir sozinha, desacompanhada.
Ainda não sou um garapuvu que apesar de portentoso, esbelto e belo tem suas raízes e caules flexíveis e sensíveis aos fortes ventos ferozes de Iansã.
Minhas raízes são firmes em demasia, onde diante de uma simples ameaça eu me reteso e seguro firme com os meus mais primitivos instintos.

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