segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Impacto da realidade



   
Ainda sai persistentemente, ha quase 40 dias, das profundezas de minhas vísceras, um líquido sangrento me recordando minha fertilidade perdida, porém não esquecida.
Ovários são os transmissores da vida, da capacidade de criação e transformação. 
Quando e porquê perdi, quando me desconectei?
Quando achei que tudo estava perdido,  quando tive a constatação de que nada poderia fazer pra alterar a realidade. 
Quando perdi Rômulo,  Tiago, e estava perdendo Mayana e não conseguia apaziguar as dores do Lucas.
Quando na porta da aposentadoria percebi que não conseguiria ser livre e sair com meu parceiro a explorar um mundo novo, com experiências diferentes e instigadoras. Conhecer outros povos, lugares, dar início a aventuras ainda não vividas.
Não sou feliz sem desafios, inquietudes,  questionamentos, novos conhecimentos. 
Sinto-me viva quando penso e desvendo mistérios, quando o desconhecido é meu vizinho mais próximo,  quando nada sei e tudo descubro, quando ha batalhas a serem conquistadas. 
Sem isso eu morro, me entrego e desisto. O que sei não me basta, saio em busca do que ainda não sei.
Ha também a sensação de esgotamento, fiz e vivi o que era pra ser vivido. Nada mais a fazer. Sentimento de plenitude. 
Cansada e com saudade do PAI, rogo por seu colo.
Quero a paz de um campo de flores, a energia das árvores portentosas, a leveza de um céu azul anil e quero a serenidade do silêncio eterno.

Data: 10-03-17 - três dias após o diagnóstico

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