Uma mochila, duas crianças em cada mão
Passado para trás, futuro pela frente
Na sala somos empilhados e espalhados pelo chão.
O mais novo chora, e muito! estranhando a mudança
Os demais, curiosos arregalam os olhos e exploram o novo espaço:
Um pequeno grande inferno!
Ao todo nove pessoas apertadas, inquietas e desorientadas
Sem papéis definidos, disputam de igual pra igual e vorazmente a comida, a tv, o sofá, o banheiro, a atenção...no pequeno grande inferno!
Todos tristes, enjaulados, limitados esperando a salvação.
Desse horror me afastei, de dia mergulho no trabalho a noite elaboro a catarse
Escapando do inferno por algumas horas, me recomponho e me fortaleço, novas forças reestabeleço
para tentar mudanças e alterar situação e as crianças eu salva-las, resgatando-as do inferno.
Foram sete anos no caldeirão do horror
Entre o sexto e sétimo algumas tentativas de mudanças, mas no oitavo a liberdade!
Liberdade de espaço: cada um na sua cama, quando não na da mamãe...
Que alívio, que beleza! O poder de escolher a liberdade de viver!
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